terça-feira, 20 de julho de 2010

Decepção: Da infantilidade ao estado catatônico

12. Tormenta tem o mesmo nível de cenários estrangeiros? Não graficamente, mas em conteúdo sim. O texto do Trio é mais interessante que o da WotC. Mesmo assim, Tormenta não foi publicado fora do Brasil por que o público americano de RPG tem resistência à material estrangeiro

Fonte: http://www.paragons.com.br/rpgcon-palestra-de-tormenta/

Com este tipo de argumentação de baixo nível, nossos heróis tentam vergonhosamente justificar o suposto "alto nível" de suas publicações, desmerecendo o produto alheio.

Nenhuma novidade até então. Qualquer grupo de "resistência" a Tormenta tem sido rechaçado através de sátiras, ironias e sarcasmos - obviamente, sem nenhum tipo de argumentação consistente.

Agora a nova pérola do grupo que desenvolve Tormenta diz que seu material tem o mesmo nível que os cenários estrangeiros (Eberron, Forgotten Realms, os diversos de Storyteller/Storytelling, entre outros), sendo inferior graficamente e superior textualmente.

Como sabemos, um cenário de RPG não se mede pelos gráficos, mas pelo texto e pela ambientação, tal como a diversão que isso implica. Por isso, a missiva é uma audaciosa falácia. Fingem levarem em conta um aspecto de peso desprezível, como a qualidade gráfica para poderem exaltar o aspecto que realmente conta - e que nem ao menos é verdadeiro.

Vejamos um exemplo muito simples, quanto a descrição da História de uma Cidade:

Em Vectora: Cidade nas Nuvens, vemos na página 4 o seguinte título: "História da Cidade". Quem é fã (ou o foi algum dia, como eu), reconhece o que vem a seguir. A reprodução da história da "briga" entre Talude e Vectorius. Ou seja, é a história da fundação da cidade, não simplesmente a história dela. Obviamente, é impossível no espaço de 32 folhas descrever com toda a precisão que lhe é devida, mas o pouco da história descrito chega a ser um insulto à inteligência.

No ano de 1279, a cidade de Vectora foi oficialmente fundada. Na época, apenas uma pequena parte de suas casas comerciais estava ocupada. Contudo, a fama da cidade apenas aumentou com o passar dos anos, atraindo mercadores e compradores de todo o Reinado e além.

Certamente, é uma história empolgante, cheia de monstros, ganchos e artefatos. Bem diferente de City of Stormreach que conta a história da cidade de Eberron que virou jogo online, detalhando criaturas malignas que a habitavam na era dos demônios, sua utilização por gigantes e titãs, traços de civilizações Sahuagin e Thri-kreen (e outras), a sua atual ocupação por piratas e seu papel desde a entrada destes piratas, passando pela Última Guerra e então chegando nos dias de hoje.

Nota-se o tédio que deve ser desvendar todos os mistérios de uma cidade tão rica e cheia de background. Se ela soubesse voar e tivesse menos background, quem sabe chegasse aos pés de Vectora!

Claro que o livro Vectora: Cidade nas Nuvens tinha espaço para tal. Bastava diminuir a foto de uma página do Vectorius e a foto de uma página dos Elfos do Céu, que mal aparecem ou tem grandes relações com a cidade (na verdade, só estão lá porque encontraram ela voando e acharam legal).

Mas muito mais importante é mostrar o quanto importante e imponente é o poderoso Mago Épico Vectorius e sua poderosa foto de uma página completa! Ainda mais essencial é mostrar ao mundo a maravilhosa foto do casal de elfos do céu (que mais parecem Meio-Gênios com asas) que tem pouca relação com a cidade!

Falta de espaço não é problema - ele nem sequer foi citado como tópico da palestra. Pelo contrário, a superioridade dos textos de Tormenta foram exaltados e o único problema constatado foi a qualidade gráfica.

Assim como não há crise no mercado de RPG no Brasil, não há essa "resistência" ao produto de RPG no mercado internacional quando se há competência para fazer o seu trabalho.